sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Do começo...

Bom, hoje cedo eu tinha tanta coisa boa na cabeça pra escrever aqui, mas nem tudo sai conforme planejado. Acabei fazendo um post um pouco mal educado até. Sorry.
Ontem foi um ótimo dia, acordei cedo, fui pra Broad Beach, almocei num sushi bar animal, tipo o NaKombi, foi show.



Fui pra aula de Business e conheci um Coreano. Por incrível que pareça, não tinha visto nenhum por aqui ainda. Foi bem difícil entender o que ele dizia, mas me esforcei pra ajudá-lo, pq estou comovida com a perseverança do menino. Se liga: eu achava que era brincadeira aquele lance de que os orientais fazem tudo ao contrário, e falam igual ao Mestre Yoda, sabe? Aquele verdinho simpático do Star Wars, que fala que nem índio tipo "muito a aprender você ainda tem", enfim, vocês entenderam.
Bom, ele (o coreano, não o Jedi) aprendeu um pouco de inglês onde morava, MAS, ele aprendeu as seqüências das frases ao contrário! E tudo o que a gente dizia ele tinha que automaticamente inverter na cabeça dele pra entender o contexto. Cara, se isso é difícil em português, imagina quando você é coreano pensando em "coreiês" pra entender o inglês. Hoje um pedaço da minha alma está garantido no céu por tê-lo ajudado.

No momento eu não lembro como foi a segunda aula, mas deve ter sido igual, em inglês e tal.
Voltei pra casa, jantei com meus homies: arroz com frango ao curry, diliça. A Fernanda, paulista bacana que faz aula de Business comigo me mandou mensagem avisando de um BBQ que tava rolando em Surfers, e que depois iriam pro Melbas, bombando na Surfers Night. Me arrumei e encontrei eles na escola, compramos algumas cervejas e fomos para o BBQ. O BBQ, ou churras, de diferente só tem o nome do Brasil, vc chega lá e... Cadê a carne? É, só breja. Mas o lugar, que lugar fantástico, foi na "laje" de um prédio animal em frente a escola, e dava de frente pra uma praça na Surfers que rola jogos e tal. Gênio.


Como era um prédio, às 10 da noite já não podia ter mais ninguém fazendo "algazarra", como diria minha mãe, então saímos cedo. Fomos pra praia encontrar o resto do pessoal, e aqui existem banheiros públicos na praia, LIMPOS. Brilhante. E finalmente, Melbas. Mas não, minha noite não começou aí, meu pro-ble-mas começaram ai.
Entrou um, entrou outro, entrou outro, fui entrar e "no, you cannot enter". Eu posso estar com meu  RG, CPF, carteira de motorista, minha mãe no skype, uma carta do PAPA, mas se eu não estiver com meu passaporte aqui, eu não entro em lugar nenhum. Pa-ra-li-sei. Todo mundo entrou, menos eu e o japonês que eu ainda não consegui entender o nome.
Tentei fortemente, com toda a educação que papai e mamãe me deram, com toda a paciência que Deus me deu e com todo o jeitinho brasileiro que o Brasil me deu, tentei amansar aquele segurança %$#@ˆ& que nem olhava na minha cara:
- Mas moço, olha na carteira, eu tenho 23 anos
- Só com passaporte
- Mas olha aqui a data, eu sou maior de idade
- Só com passaporte
- Moço, sério, meu passaporte está em Broad Beach, eu não ando com ele pra cima e pra baixo por aqui
- Só com passaporte
- O que eu posso fazer ou com quem eu tenho que falar pra entrar aqui?
- Traz seu passaporte.
(essa conversa foi em inglês tá pessoal?)
Fui para o segurança detrás, que parecia menos robô do que esse que conversei.
- Moço, olha aqui meus documentos, eu sou maior de idade, meus amigos já entraram.
- Só com passaporte
(a educação acaba por aqui)
- Moço, na boa, eu não vou voltar até Broad Beach pra entrar aqui, é absurdo!
- Você não é americana
- E daí que não sou americana???
- Só entra com passaporte
Bom, resumindo, eu não entrei sem o passaporte e o povo aqui tem preconceito com brasileiro, só pode ser. Pq americano pode entrar com qualquer documento, e uma suíça também entrou, então ou foi o sal grosso agindo novamente no meu viver ou o lance é com brasileiro mesmo.
O japonês olhou pra mim em pânico, e de tudo o que ele tentou dizer pra mim em inglês, eu só entendi ele dizendo "vamos rachar um táxi e buscar o passaporte". Eu falei "amigo, vc mora do outro lado da cidade, totalmente oposto do meu, como vc quer rachar um táxi?". Ele não entendeu.
"Amigo, espera aí que eu vou lá buscar meu passaporte blz? Bjotchau".

Achei um táxi e ele me levou até em casa pra buscar meu passaporte, pq eu me recuseeeeeei a ficar pra fora da primeira balada desse continente ao contrário, e me recuseeeeeei a não esfregar meu passaporte na cara daquele robô. Taxista simpático, delicadamente riu de mim ao ouvir minha situação e ainda mandou "wow, this is gonna be a long night for you". Troll.
Voei do carro, entrei, peguei meu passaporte e voei pra dentro do carro de volta. Aproveitei para perguntar pro taxista o que ele achava da ideia de eu voltar de ônibus a noite, quando saísse da balada, pra saber a percepção dele sobre essa adorável cidade. "Oh, I wouldn't do that". Perguntei porque, e ele disse que não é exatamente perigoso, e não tem exatamente ladrões por aqui, ele deu voltas e voltas e simplesmente disse que não seria o ideal. Mas ok, valeu o toque.
E então ele perguntou sobre o Brasil, como as coisas eram lá, se era realmente perigoso como diziam. Eu não tive como mentir, realmente, no Brasil vc tem que tomar um cuidado dobrado, se um gringo perguntasse pra um taxista "posso andar as 4 da madrugada sozinho na Sé" com certeza o taxista ia dizer "mas é lógico que não, c tá maluco?", e aproveitaria e faria um percurso maior pra tirar grana do gringo (fiquei de olho pra ver se aqui também fazem isso). Enfim, não menti, e então ele deu uma risadinha e disse "tenho que tomar cuidado se eu for para lá, não quero ser morto". Achei bem desnecessário, ok, tem gente que morre no Brasil hahaha, mas não é assim também, achei um pouco rude a brincadeira, mas ignorei.

Chegando na balada, estufei o peito, cheguei na porta e disse "NÃO DISSE QUE EU TINHA UM PASSAPORTE?". Novamente ele não olhou na minha cara, me carimbou e me deixou entrar. Finalmente minha noite começou. A balada era insana, grande, DJ muito bom, cerveja por 2 dólares, gente bonita e poliglota. HAHA. Bom, a balada foi ótima, é o que posso falar no momento, por causa do horário e do limite de idade dos leitores. RERE

Voltei pra casa, entrei bem devagarzinho pra não acordar ninguém, mas a cachorra acordou latindo. Causei. Nova regra da casa: de dia de semana, meia noite em casa. Damn! Mas tudo bem, justo. Deitei na cama e morry até as 10:00 do dia seguinte.

Um comentário: