terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Solly

Eu já disse que aqui tem os maiores morcegos que já vi na vida?
Eu já disse que confundi gaivota com pomba?
Eu já disse que ainda não superei a pomba garça from hell?
Eu já disse que aqui a gente joga papel no vaso, e não no lixo? Isso vai dar um nó na minha cabeça quando eu voltar.
Eu já disse que eu estava sem roer unhas há meses e hoje destruí 9 delas?
Eu já disse que está chovendo há 3 dias?
Eu já disse que sexta tem show do Blink e eu to perdendo pq não tive coragem de pagar 99 dólares e não ver o Travis amarelão?
Eu já disse que vou ver Ben Harper e Donavon?
Eu já disse que aqui só tem japonês e brasileiro?
Eu já disse que aqui parece o BBB? Continua igual.

Falando nisso, hoje mais uma foi eliminada, minha querida Yasmin. Vou sentir falta daquela maluquinha que morou a vida inteira do meu lado e eu só vim conhecê-la do outro lado do mundo...
Sabe quando vc assiste BBB e pensa: não é possível que eles sejam tão amigos em só 2 semanas de "jogo", não é possível que eles estejam há uma semana longe de casa e estejam chorando assim (é ceninha), não é possível que ela beijou o cara na segunda festa e já está apaixonadinha. Tapa na cara da sociedade: acontece. Longe de casa a cabeça simplesmente vira, vc se apega às pessoas, à rotina, aos amores, às dores... Tudo se intensifica e parece que você está aqui há um tempão com os melhores amigos da sua vida. E quando eles vão embora, vc simplesmente sente um vazio inexplicável, um desespero de achar que vai ficar sozinha... Vc acorda no dia seguinte desanimada com a chuva, vai pra escola e tcharans: novas pessoas. Não, ninguém é substituível, não tem como esquecer ninguém que está passando por aqui, mas o vazio e o desespero vão sumindo. Num dia você não tem ninguém pra almoçar ou pra dividir um apê, no outro vc tem 5 pessoas e precisa se dividir. É tudo muito intenso, e vc deve estar pensando: "que mina doida, tá aí há 2 semanas e já tá delirando". Sim, vc delira, e vc precisa passar por isso pra entender.

Bom, hoje choveu o dia inteiro, no Brasil to sabendo que também foi o caos. Definitivamente São Pedro tirou férias e deixou o estagiário tomando conta geral da torneirinha. Sorte que hoje meu cabelo acordou bom, se não eu estaria de mau humor. Amanhã cedo tenho 3 apartamentos pra visitar com as queridas brasileiras da minha escola, e mais tarde vou visitar outro ape com os novatos: 2 brasileiros e 1 suíço (ufa). Não sei ainda com quem vou dividir, mas acho que vou em quem der menos (no caso, no mais barato).
Pra variar, tem uma japonesa nova na minha sala, e a professora descobriu que ela também é cantora e me botou pra conversar com a menina. Não foi tão difícil quanto os outros, mas eu não posso dar minhas viajadas enquanto converso com ela, se não eu perco metade do bonde andando. Blablabla falamos de musica e ela perguntou: "like lilana?" - ... sorry? - "like lilana?" - WHAT? - "you know, lilana, the music you asked teacher to play on class today" - (meu deus, eu pedi pra tocar lilana na sala hoje? quem é lilana? alguma apresentadora infantil, pensei) - sorry, I can't remember - "the song from lilana, you said it was beautiful" - OOOOHHHH, RIHANNA? - "yeees yes, soLLy".

Acabei de jantar pizza, feita pelo Mr. Peter. Estava deliciooooso, mas agora eu entendi o pq só existem e vendem copos tamanho king size aqui. É proporcional a quantidade de pimenta na comida. Vc come um pedaço e já vai a jarra inteira de água junto, meu deus. Vou voltar com estômago de avestruz (sei lá pq, mas o bicho veio na minha cabeça).
E já que to falando groselha, pra vc que acha que comercial brasileiro é tudo piada, se liga nessa delícia de se ver:


Pra meio entendedor, boa palavra basta.
Aligatô pessoal


LILANA SONG


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

February Rain

Comecei muito bem hoje. Depois de um final de semana de cama com gripe, acordei cedo pra resolver as questões do apartamento, vi que o tempo não estava lá aquelas coisas e pensei: música.
Dei uma olhada em volta, ninguém na casa, fui tomar banho, voltei pro quarto e liguei o som no note, maior batidão matinal.
Aumentei um pouco o volume e fui pra cozinha fazer meu café da manhã. Tcharans: abre a porta do quarto e lá está nossa querida Laura, com cara de poucos amigos de quem acabou de acordar com um som desconhecido. Dei aquele bom dia de cara lavada, e como quem não quer nada, voei pro meu quarto pra desligar o som, e voltei, como se nada estivesse acontecendo. Foi um belo bom dia.

Sai, fui ver uns apartamentos com as meninas da escola e encontramos o ape perfeito, 3 quartos gigantes, sala gigante, varanda de frente pro mar, magnífico!! Mas ainda estamos procurando mais, já que estamos em 4 meninas por enquanto.

Fui pra escola, com chuva, de novo. Na minha sala ainda estou com mais 4 japoneses e um suíço. Um pouco desesperador, pra quem tinha 6 brasileiros à minha volta até semana passada... E pra ajudar no dia que começou com cara de maracujá e chuva, TESTE. Meu primeiro teste na escola, e já fui mal. Sei lá, acontece, fui mal. Mas eu só fui mal pq só tem japonês sabe tudo na minha sala, e é esse o argumento que vou usar até o final do curso. Sem mais. Terminamos o teste e a professora pergunta: vcs preferem iniciar hoje a parte de Gramática ou terminar os 20 min de aula assistindo Modern Family?

...

Olha, se não fosse minha cara de “escolham AGORA Modern Family ou vai ter escândalo brasileiro aqui”, a gente ainda estaria lá revendo gramática. Um deles tentou insistir na aula, mas convenci os outros. Show.

Saí da aula: chuva de novo. Sério, o que está acontecendo com esse lugar? Austrália não é 300 dias de sol por ano e mimimi? Cade esse sol? Eu só to vendo calor aqui, calor com chuva. Pra tomar chuva e passar calor eu vou pra Santos!

Cheguei em casa pingando e Laura já estava lá, com uma cara de mais amigos... Jantamos e ficamos assistindo de novo aquele programa estilo Top Chef que eu ainda não descobri o nome. Assistir esses seriados daqui sem legenda é o melhor treino possível, melhor ainda ouvindo os comentários da Laura do tipo “OHH I HATE THIS GIRL, SHE’S A COW BITCH”.

É isso, continuo gripada e continua chovendo. Nada de muito diferente. Sexta feira tem show do Blink 182 e eu vou perder, não estou tendo coragem de pagar 99 dólares pra ver apenas 2 dos 3 blinkers, o Travis amarelou dessa vez! Mas mês que vem tem Ben Harper e Playing for Change, e depois tem Donavon. E torcer pra não chover nos shows haha.

Então tá bom.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

BBB


Faz exatamente 1 semana que não posto nada aqui. Vida de estudante dedicada...
Viver longe assim é muito parecido com o Big Brother (eu tenho certeza que vc assiste). Sabe quando vc liga a TV num dia e a casa mais vigiada do Brasil está ensolarada, todos estão super amigos, o casal está apaixonado e todo mundo tá ajudando na casa, daí no dia seguinte vc liga a TV no mesmo horário e está tudo de pernas pro ar, o tempo está chuvoso, o amigo do um virou amigo do outro que se virou contra o segundo que era apaixonado pelo um, que se separou pq não estava ajudando na casa enquanto o Bial fala um monte de groselha poética. É isso. Aqui as coisas mudam diariamente, sentimentos mudam diariamente, vontades, fome, calor, tudo. Só me falta a alegria do Bial.

Segunda feira fui para a escola de manhã e quando foi meio dia, partimos para o Dreamworld, um parque de diversões aqui perto, ma-ra. Fui em montanhas russas que eu jamaaais imaginaria nem pensar em subir em uma. Coisa de doido, girando de ponta cabeça, voltando de costas no trilho pra cair de um lance meio Torre Eiffel, brinquedo aquático imenso, nem eu to acreditando que fui. Sem contar que o parque era lindamente temático, tinha a parte do Madagascar, do Kung Fu Panda, do Shrek, coisa linda.
Lá dentro tinha também a parte wild da Austrália, como se fosse um mini zoológico dentro do parque. Tirei foto com koala, alimentei canguru, montei no crocodilo e cacei tubarão (tá, mentira). Mas foi bem perto disso, exótico eu diria. Voltei pra casa destruída, e ainda fui visitar 2 apês pra morar. E na volta, tcharans: o motorista do ônibus me deu carona, simples assim. Eu perguntei se aquele bus passava em tal lugar, ele disse que sim, era bem perto, e não me deixou pagar. Show!

Terça feira, escola de novo, tarde toda. A noite fui finalmente na Brazilian Night, num lugar chamado Beergarden. Mas ó, nem tinha tanto brasileiro, sérião! Lógico que aqui nasce brasileiro do pé de canguru, mas pra uma balada brasileira, pensei que fosse tocar mais música brasileira com povo brasileiro. Que nada, tocou uma banda de samba rock nacional por 1 hora e depois voltou a programação normal de todas as baladas de Gold Coast. Mas foi bem legal!! O problema desse lugar é que lota demais, e os seguranças não dão conta e ficam caçando motivos pra expulsar a galera da balada por beber demais, por brigar, por beijar, se dançar demais, se respirar demais ou se estiver parado demais. E lógico, que como bons brasileiros, fomos convidados a nos retirar da balada, agora não me perguntem o motivo hahaha, surreal.

Quarta-feira: dia normal. Quinta-feira aula normal novamente, e como de praxe, Melbas a noite. Muito bom, despedida de uns amigos e ninguém expulso da balada, foi show.
Sexta-feira tivemos aula apenas na parte da tarde, e acaba mais cedo, então saímos de lá, passamos no mercado pra fazer as compras para o BBQ de despedida (de novo) pro pessoal que foi embora pro Brasil.
Fomos na casa da japonesa quase brasileira fofa que nos cedeu espaço para o BBQ, que foi feito por japoneses, meu deus, quanta coisa deliciosa que fizeram! Comi carne de canguru, não gostei e ainda estou me culpando por ter comido o pobre bicho que alimentei na mesma semana.

Sábado de manhã ajudei um goiano novinho apaixonante a arrumar as malas pra ir embora, estava a maior chuva para ele ir para a estação de trem e a maior chuva para eu ir pro ponto de ônibus. Dividimos um táxi e o taxista não passava nunca pelo ponto de ônibus, quando nos demos conta, estávamos na estação de trem! E então o taxista disse: menina, está muito cedo e muito vazio para você ficar aqui na estação sozinha esperando ônibus, eu te levo. Daí falei que não, que eu não ia pagar táxi até em casa sendo que daria pra voltar de ônibus, lógico. E tcharans, ele disse que não ia cobrar! Era o caminho dele, e eu simplesmente ganhei outra carona na mesma semana! Não é possível que isso seja tão normal aqui, gentche! Deus é mais!

Me despedi do goiano novinho apaixonante, voltei pra casa e delirei no sono até meio dia. Acordei com uma msg da Fe me chamando pra ir pra Coolangata, praia mais linda daqui. Pulei da cama e fui. Paramos em Miami Beach pra almoçar e comemos uma feijoada brasileira fantástica com direito a churros de sobremesa, além de termos almoçado ao lado do Gabriel Medina, surfista lindo famoso do Brasil. Era tanta sorte misturada que São Pedro se irritou com São Longuinho e mandou uma chuvarada pra gente, nem conseguimos chegar em Coolangata... Então voltei pra casa.

E pra quem não sabe, eu ainda atravesso a rua quando aparece aquele pássaro pomba que ainda não sei como lidar.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

1 week


É, hoje faz uma semana que estou aqui. Quem diria que há uma semana atrás eu estava me perguntando "o que eu estou fazendo aqui?", dentro daquele avião congelante, com a garganta inflamada, cólica e tudo isso que há de bom dentro de 20 horas sentada atravessando o oceano.
Não que eu não me pergunte mais isso, às vezes eu acordo sem saber onde eu estou e isso vem na cabeça.
Até que pra tanta novidade ao mesmo tempo, foi uma boa semana. Por enquanto a Austrália está superando minhas expectativas. É uma pena que a maioria das pessoas que estão comigo essa semana já estão voltando pro Brasil semana que vem... Isso vai dificultar bastante minha busca por apartamento pra morar, e o dia a dia também =/

Ainda assim, o final de semana foi ótimo, passei o sábado e o domingo em Burleigh Heads, vendo campeonato de Surf. Não que eu seja a melhor entendedora de surf do Brasil, mas né, vou te falar que tem cada pão em cima daquelas pranchas, menina.... KKK
Foram looongos dias de sol, sol, sol, sol, mar, fish and chips, sol, sol, sol, caminhada na trilha maravilhosa...



Sábado a noite nos encontramos na casa da Yasmin, com direito a Beer Pong pra aquecer, e depois fomos para a East, balada de Broad Beach, com a promessa de que seria baile de Carnaval. 20 dólares na cara pra entrar no lugar pra não ouvir nem uma tentativa de samba... Brutalmente enganadas! Mas ok, a balada rendeu! Descobri que aqui eles dão água de graça nas baladas, isso deveria ser lei no mundo!! 



A noite daqui é simplesmente maravilhosa! E toca Blink 182 na balada, ganhou meu eterno respeito também!!



Conhecemos 2 babacas da Tasmania, bêbados e chatos demais, dizendo que o Brasil ficava na Argentina, e ainda vieram dizer que a gente estava no país DELES. Eles não conheciam a fúria da Yasmin, foram finalizados com 2 socos e dignidade zero.


Acho que dormimos só 4 horas e já acordamos cedo para ver a final do campeonato de pães, digo... De Surf em Burleigh Heads de novo. Passamos o dia lá de novo, mas dessa vez, com a companhia de tubarão na praia. E meus parabéns pra equipe de pães, digo... Salva vidas daqui da Austrália, agilidade e eficiência pra afastar o tubarão da galere.



Tirando isso, nada de muito especial... Voltei pra casa, jantei BBQ com Laura e Peter, matei saudade da família e torcer pra essa semana eu encontrar apartamento e pessoas pra morar mês que vem!
That's all, fica aí a imagem da semana, pra quem dorme cedo ou acorda cedo :)








sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

the day after...

Acordei semi atrasada, corri pra arrumar minhas coisas, tomei banho e fui pra aula. De sexta-feira a aula só vai até as 16:00, mas hoje, especialmente, parecia que a aula tinha 12 horas de duração...
No intervalo de 10 minutos corremos pro Mc pra pegar nosso almoço... Tá difícil, Mc Donalds é tentador demais aqui, mas vou parar, juro.

Voltamos, mais 348 horas de aula até chegar as 16h. Saímos de lá e fomos procurar algo pra fazer, ficamos andando por Surfers Paradise sem destino, melhor coisa do mundo. E então a gente começa a conhecer as coisas exóticas e selvagens da Austrália:


É então, as pessoas pagam 10 dólares pra enrolar uma cobra no pescoço e tirar foto. Agora é sério, ninguém parou pra pensar que essa cobra poderia sair correndo pela rua? Gente, é selvagem demais pra mim. To aflita até agora. Continuamos pela praia, já eram quase 18h. Vale colocar uma nota aqui de quanto estávamos atravessando a rua: 3 brasileiros e 1 francês, farol fechado para nós, olhamos para um lado, olhamos para o outro e atravessamos correndo, just like in Brasil. E o coitado do francês gritando pra gente: "BUT IT'S ILLEGAL". Por isso que em todo país as pessoas sabem quem são os brasileiros... Enfim, continuamos e foi aí que dei de cara com um lance de tiro dentro de um shopping, eu esqueci o nome desses lugares, mas é aquele que vc paga pra aprender a atirar com armas diferentes e tal, achei animal. Entramos pra ver os preços, mas era tudo muito caro, tipo 50 dólares pra 5 tiros. Desculpa, eu não pago. E também não pago pq o cara que nos atendeu viu que éramos do Brasil e disse que sabia falar em português, dei a chance e ele começou a mandar um espanhol. Quase agradeci ele com um Arigatô.

Saímos de lá e vim pra casa. Peter e Laura saíram para comprar KFC, mas voltaram com Pizza Hut que a moça do KFC não quis esperar eles pensarem no pedido. HAHAHA absurdo. Jantamos e ficamos conversando por horas, comentei que eu iria para Burleight Heads no domingo para assistir a final do campeonato de surf que está rolando por lá, foi ótimo, eles tem sempre boas dicas para me dar. E falando em dicas, aproveitei para pedir dicas para procurar emprego por aqui, conversa vai, conversa vem, eles encontraram meu canal no Youtube (pra quem não sabe youtube.com/thaicorsi MERCHAN TIME). Eles me indicaram uns barzinhos que eles acreditam que eu possa cantar/trabalhar a noite, já que só posso trabalhar 4 horas por dia por aqui. Achei genial. Eles disseram que meu "sotaque" cantando em inglês é perfeito, e para um inglês dizer isso, é um belo de um elogio!
Eles me perguntaram se eu preferia cantar em português ou em inglês, e foi aí que surgiu a dúvida na Laura: "se vocês são do Brasil, pq vcs não falam brasileiro?", acho que é a dúvida de todos... Po, é simples, Australiano também não fala australiano, e Americano não fala americano, e Mexicano não fala mexicano, e Japonês não fala japonês (ah não, esse sim...). Tentei explicar, mas a dúvida dela foi além do que eu esperava: "mas pq vcs falam português e os cara de Portugal também falam português?". Cara, eu não sei como explicar isso, sei lá, pq Deus quis assim, fomos colonizados que nem o nariz deles e a única coisa que ficou de bom foi nossa língua, que é muito mais legal que o português de Portugal, e a gente deve ser muito mais legal que eles também (eu não disse isso pra eles, mas tava na ponta da língua... portuguesa).

Então tá bom, bom Carnaval para vocês, juízo e torçam pra acharmos uma balada carnaval aqui em Gold Coast pros pobres brasileiros que estão aqui.

Do começo...

Bom, hoje cedo eu tinha tanta coisa boa na cabeça pra escrever aqui, mas nem tudo sai conforme planejado. Acabei fazendo um post um pouco mal educado até. Sorry.
Ontem foi um ótimo dia, acordei cedo, fui pra Broad Beach, almocei num sushi bar animal, tipo o NaKombi, foi show.



Fui pra aula de Business e conheci um Coreano. Por incrível que pareça, não tinha visto nenhum por aqui ainda. Foi bem difícil entender o que ele dizia, mas me esforcei pra ajudá-lo, pq estou comovida com a perseverança do menino. Se liga: eu achava que era brincadeira aquele lance de que os orientais fazem tudo ao contrário, e falam igual ao Mestre Yoda, sabe? Aquele verdinho simpático do Star Wars, que fala que nem índio tipo "muito a aprender você ainda tem", enfim, vocês entenderam.
Bom, ele (o coreano, não o Jedi) aprendeu um pouco de inglês onde morava, MAS, ele aprendeu as seqüências das frases ao contrário! E tudo o que a gente dizia ele tinha que automaticamente inverter na cabeça dele pra entender o contexto. Cara, se isso é difícil em português, imagina quando você é coreano pensando em "coreiês" pra entender o inglês. Hoje um pedaço da minha alma está garantido no céu por tê-lo ajudado.

No momento eu não lembro como foi a segunda aula, mas deve ter sido igual, em inglês e tal.
Voltei pra casa, jantei com meus homies: arroz com frango ao curry, diliça. A Fernanda, paulista bacana que faz aula de Business comigo me mandou mensagem avisando de um BBQ que tava rolando em Surfers, e que depois iriam pro Melbas, bombando na Surfers Night. Me arrumei e encontrei eles na escola, compramos algumas cervejas e fomos para o BBQ. O BBQ, ou churras, de diferente só tem o nome do Brasil, vc chega lá e... Cadê a carne? É, só breja. Mas o lugar, que lugar fantástico, foi na "laje" de um prédio animal em frente a escola, e dava de frente pra uma praça na Surfers que rola jogos e tal. Gênio.


Como era um prédio, às 10 da noite já não podia ter mais ninguém fazendo "algazarra", como diria minha mãe, então saímos cedo. Fomos pra praia encontrar o resto do pessoal, e aqui existem banheiros públicos na praia, LIMPOS. Brilhante. E finalmente, Melbas. Mas não, minha noite não começou aí, meu pro-ble-mas começaram ai.
Entrou um, entrou outro, entrou outro, fui entrar e "no, you cannot enter". Eu posso estar com meu  RG, CPF, carteira de motorista, minha mãe no skype, uma carta do PAPA, mas se eu não estiver com meu passaporte aqui, eu não entro em lugar nenhum. Pa-ra-li-sei. Todo mundo entrou, menos eu e o japonês que eu ainda não consegui entender o nome.
Tentei fortemente, com toda a educação que papai e mamãe me deram, com toda a paciência que Deus me deu e com todo o jeitinho brasileiro que o Brasil me deu, tentei amansar aquele segurança %$#@ˆ& que nem olhava na minha cara:
- Mas moço, olha na carteira, eu tenho 23 anos
- Só com passaporte
- Mas olha aqui a data, eu sou maior de idade
- Só com passaporte
- Moço, sério, meu passaporte está em Broad Beach, eu não ando com ele pra cima e pra baixo por aqui
- Só com passaporte
- O que eu posso fazer ou com quem eu tenho que falar pra entrar aqui?
- Traz seu passaporte.
(essa conversa foi em inglês tá pessoal?)
Fui para o segurança detrás, que parecia menos robô do que esse que conversei.
- Moço, olha aqui meus documentos, eu sou maior de idade, meus amigos já entraram.
- Só com passaporte
(a educação acaba por aqui)
- Moço, na boa, eu não vou voltar até Broad Beach pra entrar aqui, é absurdo!
- Você não é americana
- E daí que não sou americana???
- Só entra com passaporte
Bom, resumindo, eu não entrei sem o passaporte e o povo aqui tem preconceito com brasileiro, só pode ser. Pq americano pode entrar com qualquer documento, e uma suíça também entrou, então ou foi o sal grosso agindo novamente no meu viver ou o lance é com brasileiro mesmo.
O japonês olhou pra mim em pânico, e de tudo o que ele tentou dizer pra mim em inglês, eu só entendi ele dizendo "vamos rachar um táxi e buscar o passaporte". Eu falei "amigo, vc mora do outro lado da cidade, totalmente oposto do meu, como vc quer rachar um táxi?". Ele não entendeu.
"Amigo, espera aí que eu vou lá buscar meu passaporte blz? Bjotchau".

Achei um táxi e ele me levou até em casa pra buscar meu passaporte, pq eu me recuseeeeeei a ficar pra fora da primeira balada desse continente ao contrário, e me recuseeeeeei a não esfregar meu passaporte na cara daquele robô. Taxista simpático, delicadamente riu de mim ao ouvir minha situação e ainda mandou "wow, this is gonna be a long night for you". Troll.
Voei do carro, entrei, peguei meu passaporte e voei pra dentro do carro de volta. Aproveitei para perguntar pro taxista o que ele achava da ideia de eu voltar de ônibus a noite, quando saísse da balada, pra saber a percepção dele sobre essa adorável cidade. "Oh, I wouldn't do that". Perguntei porque, e ele disse que não é exatamente perigoso, e não tem exatamente ladrões por aqui, ele deu voltas e voltas e simplesmente disse que não seria o ideal. Mas ok, valeu o toque.
E então ele perguntou sobre o Brasil, como as coisas eram lá, se era realmente perigoso como diziam. Eu não tive como mentir, realmente, no Brasil vc tem que tomar um cuidado dobrado, se um gringo perguntasse pra um taxista "posso andar as 4 da madrugada sozinho na Sé" com certeza o taxista ia dizer "mas é lógico que não, c tá maluco?", e aproveitaria e faria um percurso maior pra tirar grana do gringo (fiquei de olho pra ver se aqui também fazem isso). Enfim, não menti, e então ele deu uma risadinha e disse "tenho que tomar cuidado se eu for para lá, não quero ser morto". Achei bem desnecessário, ok, tem gente que morre no Brasil hahaha, mas não é assim também, achei um pouco rude a brincadeira, mas ignorei.

Chegando na balada, estufei o peito, cheguei na porta e disse "NÃO DISSE QUE EU TINHA UM PASSAPORTE?". Novamente ele não olhou na minha cara, me carimbou e me deixou entrar. Finalmente minha noite começou. A balada era insana, grande, DJ muito bom, cerveja por 2 dólares, gente bonita e poliglota. HAHA. Bom, a balada foi ótima, é o que posso falar no momento, por causa do horário e do limite de idade dos leitores. RERE

Voltei pra casa, entrei bem devagarzinho pra não acordar ninguém, mas a cachorra acordou latindo. Causei. Nova regra da casa: de dia de semana, meia noite em casa. Damn! Mas tudo bem, justo. Deitei na cama e morry até as 10:00 do dia seguinte.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Andei andei andei até encontrar

Eu tenho acordado às 5 da manhã todos os dias, é como um dejavu, vc acorda do nada, olha o relógio e é sempre no mesmo horário, e então vc volta a (tentar) dormir. Hoje não foi diferente, acordei, olhei o relógio, voltei a dormir, consegui por mais 1 horinha e pouco e despertei.
Conferi facebook, instagram, skype, e-mail, whats app, unhas e cabelo, e ainda estava muito cedo. É inacreditável eu... EU, LOGO EU, não conseguir dormir. Mas ok, juntei minhas coisas e saí. Na primeira esquina eu tive que atravessar a rua por 2 vezes, me julguem, mas eu ainda não sei como agir na presença desses "pombos" australianos.




Fui para Broad Beach, praia linda linda demais. Descobri um shopping, and u know what it means...



Comprei algumas coisas pra escola, um guarda-chuva do meu tamanho, e finalmente achei secador de cabelo, não vou mais precisar viver de dreads.
Almocei o bom e velho Subway e fui pra escola. Primeira aula: conversação. Queria muito saber pq não tínhamos essa aula no colégio. E daí? Seria conversação em português mesmo, mas garanto que faria um bem danado pra muito analfabeto formado por aí.
As aulas são mais relaxantes, a professora é um amor, e ainda coloca Ben Harper e Jack Johnson como som ambiente pra aula. Gênia.

Falando em Jack Johnson, hoje temos mais uma cena marcante: o mexicano. Que cara bacana, que cara simpático, que cara maluco. Lá estávamos nós, 2 brasileiros, 1 francês, e o mexicano, o grande. A aula acontecendo e do nada, DO NADA o cara começa a delirar no Jack Johnson: WHERE ARE THE GOOD PEOPLE GOOOOOO. Novamente, do nada. A gente teve que dar uma risada tímida, pq pra ele tudo isso parecia muito normal, então pra que chatear o menino, né? Deixa ele ser feliz! E foi isso, depois do surto karaokê, simplesmente continuamos a conversação como se nada tivesse acontecido. Até que.... Ele viu meus óculos escuros. É, aquele desenhadinho por dentro e tal, e ele encontrou o Seu Madruga desenhado. PRA QUE? O menino pirou no Seu Madruga do tipo: WOOO, THIS IS CHAVO, DÓN RAMON IN THESE SUNGLASSES!!! E então ele começou a cantar a musiquinha de quando o Seu Madruga bate no Chaves e tal, foi toda aquela cena em que temos que fingir que nada está acontecendo novamente. Eu tentei interagir dizendo que  no Brasil chamamos Dón Ramon de Seu Madruga e tal, mas a empolgação dele era maior, continuava imitando o Chaves chorando. Enfim, foi uma cena que não vou esquecer, e to maluca pra levar esse mexicano num karaokê, vai ser épico.

Uma brasileira querida me chamou hoje para visitar a Indonésia com ela. Supermempolguei, se ela não estivesse planejando ir daqui 1 semana... Infelizmente não tenho como dar um break nas aulas pra viajar ainda, talvez no próximo curso eu consiga, mas por enquanto eu só vou perder aula e dinheiro. Mas ok, teremos tempo pra visitar Bali ainda, tipo quando eu tinha 16 anos, eu ia muito pra Bali. O DJ até me deixava entrar de graça e tal. Ahh, bons tempos de Bali em Itatiba. (tá bom, já fui melhor nas piadas).

Saindo da aula fui com um carioca maneiro quevaimeensinarasurfar buscar nosso "passe" de ônibus. Chegando lá, um árabe nos atendeu. Eu achava que os australianos eram difíceis de entender, até eu conhecer esse simpático árabe. Pedi o cartão de ônibus pra estudante, e de todas as informações que ele nos deu, eu consegui entender o "FÁVE DÔLÁ". Ok, aceita cartão? Thanks bye bye!!

Cheguei em casa e meus homies já tinham chegado. Jantei maravilhosamente, de novo! Vou sentir falta desses jantares daqui 1 mês... E das little talks também, eles me deram vários toques sobre a Indonésia e outros lugares para conhecer. O Peter foi trabalhar e eu fiquei conversando um pouco com Laura. Ela perguntou se eu já estava "homesick", tipo, sentindo falta de casa. Orgulhosa que sou, disse que até que estava aguentando, me perdi no inglês e disse OK, admito, é complicado pra quem nunca saiu de casa. E aproveitei pra perguntar sobre o que estava me matando de curiosidade: vocês são de Londres, pq vieram morar aqui afinal? Laura disse o que todos dizem: qualidade de vida. Eles estão morando aqui há apenas 3 anos, e ela disse que até hoje acorda pensando: "o que eu estou fazendo aqui?". Ela gosta muito daqui, fez bons amigos, gosta do ar puro, da "limpeza" que é o país e do sossego. Mas nada, absolutamente nada consegue cobrir a saudade que ela diz ter da família. Comentou inclusive que as piores épocas do ano são Natal e Ano Novo, se ela pudesse, traria a família pra morar aqui, pois depois que se acostumou com a Austrália, não consegue mais voltar para a loucura de Londres.

Acho que no final das contas é o que acontece com todos: buscam qualidade de vida, seja onde for. E quando encontram, sentem falta daquilo que não tem preço, o que tiveram que abrir mão. A gente acha que colocar qualidade de vida na balança funciona, mas a saudade sempre acaba pesando mais. O ideal é colocar todos que a gente ama num potinho e sequestrá-los pra onde vc for. Essa é a ideia. E mais engraçado que hoje mesmo eu abri o Facebook e vi um post de uma amiga que largou tudo pra ir morar com o noivo que conheceu em Portugal. Ela simplesmente foi, e deixou "tudo aqui". Eu odiaria estar nessa situação, mas Laura deu um bom conselho: não pense na saudade, simplesmente viva um dia após o outro, sem pensar. O tempo coloca as coisas e a cabeça no lugar.

Faz sentido, faz tanto sentido quanto o texto de Karina Arruda que li no site da Época (aquelas bem apegadas ao antigo emprego): "A falta que nos faz aquilo que já amamos é uma armadilha que pode escurecer nossos horizontes e subtrair o deslumbramento de tudo o que temos a chance de descobrir. E esse é o plano: não deixar a chama apagar. Porque sim, agora descobri que já tenho motivos para me apaixonar."


E como hoje o tema da aula foi sobre líderes que conhecemos, fica aqui um conselho que faz ainda mais sentido pra tudo: "Aproveite esta oportunidade. Agarre isto sem deixar escapar. Eu odiava quando meu pai dizia isto: 'primeiro a obrigação e depois a diversão'. E ele estava certo. Perdi ele muito cedo para dizer isto a ele. Enjoy your experience."

Ass: Meu Herói.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O primeiro dia oficialmente

Tentei esperar passar um pouco a chuva, mas nada de passar... Peguei a "sombrinha" que Peter me emprestou e fui pra rua.
São aproximadamente 15 min andando até o ponto de ônibus. A chuva apertou durante esses 15 min. Esperta que sou, estava de saia longa e rasteirinha, cheguei pingando no ponto de ônibus.
Tenho que pegar o bus 702 para ir até a Embassy. Eram 11:00 da manhã, sentei e esperei.
5... 10... 15... 20 min e nada de bus, e a chuva delirando em mim. Levantei e pensei "vou andando, neem deve ser tão longe assim". Eu não posso ter faltas, dependendo da quantidade de faltas eu posso ser deportada, isso seria ridículo.
Em frente o ponto de ônibus tem um mapa com os ônibus que passam e os horários, vi que o 702 estava marcando como passagem às 11:32 da manhã. Dei uma leve risada com esse número quebrado, e achei absurdo ter um horário certo pra ele passar. TAPA NA CARA DA SOCIEDADE BRASILEIRA, o busão chegou 11:33 no ponto, 11:34 eu estava sentada e lindamente encharcada dentro dele, com um sorriso de "eu adoro 1o mundo" na cara.

Cheguei na escola e ainda tive tempo de fazer a mini excursão de 10 min pra conhecer os points da Surfers Paradise, tipo onde pegar o go card pra pagar menos do absurdo que é o busão, onde recarregar o celular, onde tirar dinheiro, onde aprender a surfar (GREAT) etc. Durante a excursão, onde estavam 8 japonesas e eu, uma delas tentou uma aproximação: "NANANANA?" - means: "where are u from?". Falei que era do Brasil e ela disse "NANANANANA!!" - means: great SÓQUI". Depois da terceira vez que eu pedi pra ela repetir eu entendi que ela estava dizendo SOCCER, ok. Futebol, traduzindo o Brasil. Continuamos andando pela Surfers, tentei ser simpática e dar continuidade a conversa e mandei uma conversa do tipo conversa de elevador: "I'm lovin' Surfers, but I'm already lost here, do you know where is Embassy from here?". Ela olhou pra mim e riu HOHOHOHO. Eu não sabia o que responder depois dessa risada, pq tipo, EU FIZ UMA PERGUNTA, eu realmente não sabia voltar pra escola dali. E então perguntei novamente "Do you know?". Ela riu novamente. Era nítido que ela não estava entendendo o que eu estava falando e no mínimo achou que eu estava falando algo bacaninha só pra ela rir e não ter que responder. Enfim, desisti, mandei um HOHOHO junto com ela e acelerei o passo.

Voltei pra Embassy e entrei na sala errada, dei um Oi super simpático pra pessoas estranhas, sentei e esperei a chamada. Tcharans, meu nome não estava. A professora pegou meu caderno e me mandou pra sala correta. Tcharans, cheguei atrasada, mas puxei o saco da professora pra não pegar falta.
Era uma aula de conversação, fiquei num trio de 2 brasileiros e 1 francês. Brasileiros brotam do chão aqui.

10 minutos de intervalo. Comi um cookie e tomei uma coca cola, desculpa mãe, esse foi meu almoço de hoje. Entrei pra segunda aula: 7 brasileiros e 3 japoneses na sala. Show.
Aula sobre superstições, ótimo, agora todo mundo me acha uma louca neurótica, já que tenho um colar de sal grosso estourado na mala, uma pulseira de olho grego, um colar com pimenta, figa e trevo, outro colar com o Pai Nosso escrito e brincos com crucifixo. Meu sorriso quase caiu quando a professora olhou, virou pra sala e disse "hey guys, be careful with her". Valeuzão teacher!
Sem contar a bela trollada que ela me deu: "what's your name, dear?". Já me perguntaram tanto isso e na sequencia pedem pra eu repetir que eu já estou respondendo: "Tssaiánny". Mas ela pediu pra eu repetir. "You can call me just Thai, ok?", e então veio: "OHH THAI, JUST LIKE THAILAND?". Bom, não posso negar que pelo menos ela se esforçou pra tentar pronunciar corretamente. Engoli o orgulho e confirmei: "sim, tipo Thailandia".
Talvez eu deva começar a mudar meu nome aqui, sei la, ao invés de Thai eu falo Ane. Ou então posso apelar e dizer Dayanne. Não tem como errar.

Bom, a aula vai do meio dia às 18:00, estou quebrada, isso é muito cansativo. Mas ok, só o primeiro mês, depois diminui. Desci com os brasileiros, lógico, e para nossa alegria ainda estava chovendo. Combinamos a Brazilian Night que teria hoje a noite e foi cada um pro seu canto. Peguei o ônibus e reparei que meu nome está por toda a cidade, me sinto quase importante por isso!


  

Tomei chuva de novo mas cheguei seca em casa, apesar da chuva tá muito calor aqui, que delícia.
Peter e Laura chegaram e ficamos conversando sobre o nosso dia. Falei sobre a Brazilian Night e de repente veio aquela nostalgia do Brasil com o sr Francisco e a dona Edna: a cara de preocupação. Eles acharam um absurdo a festa ir até de madrugada (parece que as baladas aqui abrem bem cedo e fecham tipo 1 da manhã). Então eles disseram que me levariam até o lugar, mas achei que seria muito abuso, disse que eu pegaria o ônibus sem problemas. Então eles ligaram na central dos bus pra perguntar até que horas funcionavam os ônibus: 4 da manhã. Quando eu os convenci, disseram que mesmo voltando de ônibus eu teria que andar uns 15 min até em casa, sozinha, de madrugada. Panic. E então ligaram para saber quanto seria o táxi de lá pra cá. Enfim, deu pra entender que isso é tudo um truque do sr Francisco e da dona Edna, né? Eles traçaram o perfil deles, e não o meu pra encontrar a família HAHAHA. Mas isso foi fofo, interessante culturas diferentes serem tão iguais, a Laura inclusive falou para eu não beber do copo de ninguém e nem deixar minha bebida sozinha na mesa. THIS IS SO EDNA DE SER.

Enfim, vocês podem ver que minha noite não deu certo, se não eu não estaria escrevendo aqui. Continua chovendo... Muito, então a galera miou (eu queria aprender o termo "miar" para tentar explicar pras pessoas o pq de não ter rolado a festa hoje). Mas para a alegria da minha mãe, quinta feira tem outra, e tooooda terça feira tem a Brazilians Night, vcs não vão se livrar disso tão facilmente!



Acho que é isso por hoje, that's all folks. Rezar pra amanhã fazer esse dia lindo ai com sol e pegar uma praia, já que conheci 2 brasileiras que vão me ensinar a surfar! SHOW.




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sol e chuva e sol

Hoje o dia amanheceu com uma garoinha, ta calor, mas com uma chuva fina. O Peter me emprestou uma sombrinha que quebra o galho, mas hoje vou ver se encontro um guarda-chuva pra comprar.
Eu iiiiia pra praia de manhã, mas tive que abortar a missão. Aproveitei pra ouvir os sons da minha banda, matar a saudade de algumas pessoas e falar com a maninha por skype.
Mas sempre vão ter aqueles que vem dizer "ai, vc tá na Australia, sai da internet". Pura ignorância não imaginar que estou aqui há 2 dias, sem conhecer muita gente, sem nunca ter saído do Brasil e achar fútil eu pegar 2 horas do meu dia para matar as saudades das pessoas que eu gosto. Mas ok, é mais fácil julgar do que perguntar como estão indo as coisas.

Ontem a noite o Peter cozinhou macarrão, fez com um molho delicioso de alho com cogumelos e frango. Depois fomos assistir Revange. Gostei do seriado, não sei se tem esse no Brasil já.
Anda me dando sono muito cedo, não to acostumada ainda. Logo fui dormir, já que eu tinha acordado sem querer às 5 da manhã!

Pegar o ônibus nessa chuvinha vai ser um saco, mas ok, hoje tem Brazilian's Night e nada vai tirar meu humor.

Boa noite pra vocês e bom dia pra mim :)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Primeiro dia de aula

Comecei muito bem. Meu relógio despertou às 6:00 da manhã, enrolei na cama até 6:30, criei coragem e levantei. O tempo está ótimo, calor, ensolarado, tudo o que eu queria. Está uma brisa gostosa, mas Laura comentou que há uma semana atrás teve um ciclone que derrubou o muro da casa deles (fui ver lá fora, realmente o muro ainda está no chão - medo).
Me troquei, liguei o Skype, falei com meus pais bem baixinho pra não acordar o casal. Fui pra cozinha, peguei um copo de leite e resolvi esperar eles acordarem para comermos alguma coisa antes de sair.
Hoje, como é meu primeiro dia de aula, Peter e Laura vão me ensinar a chegar na escola, até eu aprender a pegar os ônibus daqui que andam ao contrário também.

Esperei, esperei, esperei, deu 8:15 e comecei a ficar preocupada. Fui até a sala para ver se ainda não tinham acordado, e tcharans, olhei no relógio deles: 7:15. Menos 1 ponto pra mim, acordei às 5 da manhã, e não às 6. Meu relógio ainda estava no fuso-horário de Sidney. Ou seja, cá estou, acordada às 7:36 da manhã, esperando sem dormir.

8:00 - acordaram! Fui até a cozinha e eles estavam preparando o café da manhã, contei que eu tinha acordado no horário de Sidney e eles delicadamente riram de mim. Tomei café com leite e torradas, eles procuraram o número do ônibus que eu deveria pegar para voltar pra casa.

Me levaram até a escola, subi, fiz meu check-in e fizeram as boas vindas. Queria saber qual a magia pra brasileiro se reconhecer só de bater o olho. Numa sala de umas 12 pessoas, tem uns 5 brasileiros. Muitos japoneses, 2 italianos (meu deus, os italianos).
No intervalo conheci um cara muito simpático do Paraná, descemos pra tomar um café. Pedi um café normal, a mulher perguntou "do you want jsdgjhfgds?". (???). "Ohh yes please, with sugar". Não sei até agora o que mais ela colocou no meu café.
Subi pra escola e assisti o Superbowl.

Voltamos para a aula, fizemos um teste e dos 6 níveis que tem de aulas de inglês, fiquei no nível 5. To bem ein, pai?
As aulas mesmo começam amanhã, ao meio dia!! To muito feliz por poder dormir até mais tarde, mas de qualquer forma vou mais cedo pra praia com os brasileiros que conheci.



Fui almoçar com o Bruno, do Paraná, e obviamente acabamos caindo no Mc Donalds haha. Em frente passaram 3 brasileiras que ele conhecia e já peguei contato pra procurarmos apartamento durante a semana.

Fomos pra praia e tiramos a famosa foto debaixo do letreiro Surfers Paradise. Que lugar magnífico, limpo e pavorosamente cheio de ondas. Passou por nós um bando, sim, um bando de japonesas da nossa escola, é incrível como eles andam em bandos (ok, brasileiro também). Elas vieram dar Oi pra gente, e não conseguimos nos entender direito. Elas tem um sotaque muito diferente e parece que estão sempre falando NÁNÁNÁNÁNÁNÁNÁ e dão muita risada, mas de repente eu entendi "afternoon?", YEEEES, study at afternoon too! Ok, see u later bye bye. Foi o que conseguimos nos entender.


Saí de lá e encontrei o ônibus pra voltar (bizarro chamar o ônibus do lado contrário), e ainda estou abismada por ter pago $4,50 no ônibus. Preciso urgente do cartão de estudante, ou então morar mais perto de lá. Em 10 min o ônibus chega no meu ponto e eu ando mais uns 10 minutos, mas meu Deus, que sol é  esse daqui. É quente demais, mas a brisa ajuda bastante.

Ah, aqui é quase em frente onde estou morando, coisa linda.



Chegando em casa o portão fez 10x0 em mim, tive que ligar para Laura me ajudar a abrir. Finalmente entrei em casa, tá o maior calor e sabe como é...